A beleza: é uma ficção no universo das redes sociais?


Os padrões de beleza existem desde quando viver em comunidade se tornou possível. Nesse sentido, os padrões criados e impostos ao longo dos anos se associam a uma intensa demonstração de poder, até porque, o dito belo tem prerrogativas positivas no conjunto social em que vivemos. Mas afinal, o que é beleza? Quem a define? Das curvas mais avantajadas à barriga de tanquinho, é possível identificar, desde a Pré-História, os diversos padrões de beleza, tanto em homens quanto em mulheres. Entretanto, o tempo não é a única variável dessa mudança. As questões culturais também são fatores consideráveis, e para além delas, os estímulos visuais que recebemos diariamente nos induzindo e estabelecendo o que deve ser taxado de belo.

Parece meio surreal nos tempos atuais ter uma mulher gorda como um padrão estético de ''perfeição'', porém é esse o corpo que primordialmente foi lido como o belo. Durante a Pré-História o corpo era considerado a arma de sobrevivência dos indivíduos, tanto para a caça, quanto para a fuga dos predadores. Enquanto isso, a Vênus de Willendorf representava o ideal estético perfeito para as mulheres. Ela era associada à fertilidade e à disponibilidade de recursos, uma mulher farta, geraria filhos fortes e saudáveis, o que nos remete a como o corpo feminino era visto: reprodução. Na Idade Média acreditava-se que a beleza era uma consequência da sua obediência, devoção, pureza e castidade, assim como a Virgem Maria. Para o sexo masculino, essas questões estavam ligadas ao poder, tanto que a maior referência para os homens era o rei, no período Renascentista os ideais greco-romanos também voltam a imperar nessa época. A gordura era o padrão ideal, representava status, riqueza e ostentação o que só estava disponível para um seleto grupo da nobreza. No Egito antigo as mulheres deveriam ter cabelos longos, rosto simétrico e um corpo magro e alto com cintura e ombros estreitos. na Grécia antiga pele branca, seios fartos, coxas grossas e cintura larga configuravam o padrão da época.

Hoje, pode-se dizer, que os padrões de beleza são diferentes dos que foram praticados nos séculos anteriores. As pessoas, no geral, são influenciadas por estilos que são reproduzidos em ambientes midiáticos que contam com grande potencial de divulgação. O que antes era restrito a um pequeno grupo social, como um gosto ou estilo de beleza, atualmente ganha repercussão mundial. As redes sociais têm influenciado o padrão de beleza das pessoas, impondo regimes de beleza (muitas vezes, embalados por filtros de edição) que, a depender da forma como são absorvidos, podem afetar o psicológico de alguém ou contribuir positivamente. A beleza: uma ficção no universo das redes sociais? A beleza, enquanto conceito, passou por diversos contornos ao longo da história da sociedade. No entanto, hoje enfrenta uma situação um tanto desafiadora: a beleza em tempos de redes sociais. Ainda que a beleza não tenha uma definição clara, uma vez que ela se molda a depender dos valores culturais de um dado local, é fato que podemos compreendê-la genericamente como uma percepção positiva em relação ao objeto ou pessoa que se observa.

O belo, na prática, também pode ser traduzido como uma sensação de prazer em relação ao objeto/pessoa que se observa. Mas, e quando a beleza deixa de ser real para se tornar em um produto que é gerado a partir de filtros de edição, recursos que podem ser encontrados em diversas redes sociais, como no Instagram? Nesse caso, podemos compreender os filtros como ferramentas que potencializam o desejo de ‘beleza’ de muitas pessoas, o uso de filtros de edição para ajustar medidas do corpo e colocar cores que fazem com que as fotos fiquem mais bonitas. É uma prática, pode-se dizer, que vem se fortalecendo no âmbito das redes sociais, tanto que alguns especialistas criticam esse tipo de beleza que é apoiado por essas mídias, criando um padrão que não existe! Inúmeras edições, app’s, programas de ‘’correção’’, tudo para se tornar mais bonita para ajustar medidas do corpo e colocar cores que fazem com que as fotos fiquem ''mais bonitas'' seria então o padrão atual inexistente? Estamos seguindo uma corrida que não tem fim? Nos tornando verdadeiros avatares da beleza cibernética? O Brasil lidera o ranking de cirurgias plásticas entre adolescente, em uma pesquisa de janeiro de 2021 mostra o crescimento de mais de 140% de procedimentos estéticos em jovens, o que me vem um outro questionamento, como estamos nos vendo, encarando a nossa realidade sem filtros, afinal, fora das redes não existe um filtro de edição da vida.




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