A consciência do consumo


Estamos na reta final do ano e consequentemente os períodos sazonais

de varejo já estão se mostrando por aí. Em 2020 a Black Friday, comemora 10

anos de atuação no varejo brasileiro. A Black Friday, ou melhor, Best Friday,

como tem sido defendido por grandes varejistas, e Natal são épocas do ano

que o fluxo de vendas aumenta significativamente o consumo.

No entanto, ainda estamos vivendo a pandemia e entre reflexos da

pandemia observamos a alteração dos hábitos de consumo, uma crescente

onda de empresas fechadas, aceleração digital e um grande fluxo de novos

consumidores via on-line nessa grande vitrine que são as plataformas digitais.  

De acordo com o Google mais de 1/3 dos consumidores tem nos canais

digitais como principal fonte de compra. A pandemia acabou por mitigar o medo

dos e-consumers (e-consumidores) que passaram a comprar pela internet.

Ainda de acordo com os dados do Google 44% preferem ainda não comprar

por conta da pandemia em lojas físicas enquanto 56% preferem realizar

pesquisas na internet.

Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) em

parceria com o Movimento Compre&Confie, o comércio eletrônico brasileiro

alcançou um faturamento de R$ 41,92 bilhões em agosto de acordo com o

apurado de janeiro a agosto de 2020. Mas não foi apenas no Brasil que o e-

commerce cresceu. As vendas globais registraram até junho um crescimento

de 28% se comparado ao ano de 2019 segundo dados da ACI Worldwide.

Comparativamente nos meses de junho 2020 com relação a junho de 2019

houve um aumento nas vendas em 110,52%.

De acordo com pesquisas as vendas de itens de MODA (acessórios e

vestuário) segundo se projeta devem ter um aumento de 45% de receita se

comparada ao ano anterior, 133% no crescimento no número de pedidos e alta

de 61% de novos compradores no universo digital.

Considerada como item de segunda necessidade de acordo com os

dados disponibilizados para o varejo de moda na Black Friday deve ter 49%

menos vendas do que no ano passado. Em contraponto de acordo com a

pesquisa do Instituto IPSOS para o Mercado Livre as intenções de compras na


Black Friday para o consumidor brasileiro não se alteram se comparado na

outra edição do Black Friday. De acordo com a pesquisa 58% dos brasileiros

disseram que vão aproveitar a data de descontos.

De acordo com pesquisa a categoria campeã em intenção de compra é

tecnologia com 62% de intenção de compra. O segmento de moda se equipara

com a categoria de eletrodomésticos na casa de 58% por buscas. 

A moda como a conhecemos hoje tem por prerrogativa trabalhar marcas

para a geração do consumo por meio dos canais de distribuição e publicidade

que a torne mais atrativa e agregando valor a ela. Em outros tempos, a moda

era estudada exclusivamente no impacto social que ela poderia desempenhar.

Para Lipovetsky ainda que de forma superficial a moda é um modo de

expressão e unicidade dos indivíduos e o consumo acaba por potencializar a

necessidade individual de sermos únicos.

O consumo exacerbado na moda pode ser ligado ao termo em inglês

Fashion Victims (vítimas da moda) que diante aos modismos e a oferta em

grande escala da mais “nova” tendência acaba por criar escravos do consumo

por influência ou por consumismo inconsciente. Estamos envolvidos em uma

espiral de ilusão de identidade própria, mas, que significa apenas estarmos

presos em um círculo de consumo.

Ao se defender os ideais de sustentabilidade na moda temos que ter em

mente que não é apenas pela base econômica, social e ambiental que temos

que colocar nosso olhar. É enxergar a cadeia da moda desde o estágio de pré-

produção até o descarte dos resíduos gerados pela moda. É preciso que

saibamos compreender o presente, olhar o passado e construir um futuro mais

inovativo no sistema da moda da produção ao descarte. De acordo com

Lipovetsky a consciência do consumo na verdade “trata-se de comprar de

maneira ‘inteligente, como um sujeito, não como um fantoche-consumidor.”

Para André Carvalhal o consumidor pós-moderno é mais consciente de

seu papel dentro da cadeia de consumo, pois, acabam por escolher marcas

não mais pela qualidade e preço, mas que significado e proposito a marca

carrega em si e que conversem enquanto os meus ideias pessoas, pois, os

novos consumidores enxergam as consequências do consumo. Estão mais

antenados e informados sobre os produtos, marcas e os impactos

socioambientais que estão por trás da simples venda do produto. Para


Carvalhal a jornada de autoconhecimento leva a uma consciência de indivíduo

e marca.

A própria evolução do sistema de moda nos leva a perceber diversos

movimentos que estimulam a consciência do consumo e nossa relação pessoa

x objeto, por exemplo, o Slow Fashion, armários-cápsula; Lowsumerism,

economia compartilhada, economia circular, Lojas colaborativas, No Noise

Branding, Movimento Fashion Revolution, Upcycling e outras formas de

promover o consumo consciente e a relação de consumo com a moda e vida

em sociedade.

Mediante todas as informações aqui repassadas não estamos negando

que o consumo é intrínseco a sociedade, mas, é preciso enxergar que estamos

sim consumindo de forma desenfreada. Portanto, é preciso se criar valores e

símbolos que alie necessidade real com o menor impacto possível dentro de

todo o sistema de moda. Antes de comprar se questione: Qual a real utilidade

de se comprar um produto de moda?


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