A Nova Trend: Empatia

(Matéria)

Há meses estamos todos no mesmo barco, HARD TIMES, vivenciando a quarentena (os que podem claro), mas todos de certa forma estão sentindo a tensão e a necessidade de se manterem seguros, conectados e entretidos para que possamos nos manter sãos até o fim do que ainda não tem data prevista..


Milhares de marcas de alta costura e prêt-a-porter, criadores de conteúdo e pessoas

públicas em geral, todos sem exceção estão se adaptando e escutando com mais atenção os seus respectivos públicos, para que o ano não passe quase que

inoperante devido às circunstâncias do planeta.


O momento está mais propício para que grupos que antes não eram vistos ou que

passavam despercebidos se tornem holofotes de alguma forma, porque há muitos internautas disponíveis e famintos por comunicação.


A carência da inclusão social, na sociedade e no mercado da moda ainda é colossal, principalmente quando se trata de pessoas portadoras de deficiências. A discriminação, o descaso e a segmentação ocorrem diariamente pelo mercado, que são o reflexo puro da comunidade em que vivemos. Infelizmente a preocupação com este público é recente, e nacionalmente se iniciou ali em meados de 2008, com a criação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que foi responsável por criar o Concurso de Moda Inclusiva, que apesar de ter apoio de grandes emissoras, claramente não é tão popular como um reality show de criadores de conteúdo dentro de uma casa cheia de câmeras ou um videoclipe aí

com nome de melancia.


Porém com tudo que estamos vivendo, estudantes, organizações não lucrativas e

marcas independentes no mundo todo estão se manifestando juntamente com as

pessoas portadoras de algumas deficiências e fortalecendo positivamente este surto

de empatia, que está vindo com peso em diversas áreas desde o início da

pandemia.


“A empatia é certamente um dos mais nobres sentimentos humanos. Para entender e ajudar o próximo é necessário se imaginar na condição dele.”

-Lázaro de Souza Gomes


O surto de empatia, deu um “Hello” para Ashley Lawrence, uma estudante estadunidense, que

cursa educação para deficientes auditivos, que desenvolveu uma máscara com abertura transparente para facilitar a comunicação através da leitura labial e das expressões, de forma eficaz e segura para os portadores, evitando então a propagação do COVID-19.


Ashley inspirou a Silvana Louro, empresária e proprietária da Equal Moda, que é uma marca de moda inclusiva nacional, que adapta roupas para cadeirantes, paralisados cerebrais, amputados e deficientes visuais, que até então não tinha atingido os deficientes auditivos, de acordo com a entrevista da proprietária, fornecida ao Sebrae.


Silvana Louro junto com sua equipe iniciou e teve sucesso com a produção das máscaras adaptadas, abraçando então mais um novo público e mostrando a importância do Design Thinking para a inclusão e a humanização de todas as formas de se relacionar. É importante ressaltar também, que atualmente muitas outras marcas do mesmo segmento estão produzindo máscaras adaptadas para este público.


Junto com esta onda, muitos criadores de conteúdo, que não eram adeptos, também estão atendendo os pedidos por legendas nos vídeos e até stories usando apps como ClipoMatic, para então atender as pessoas que necessitam deste tipo de ferramenta, mas que antes não tinha visibilidade dentro das redes sociais.


Sem dúvidas a comunidade e luta das pessoas portadoras de deficiência existem há

anos, mas para quem está de fato antenado, pôde perceber que esta luta está se

fortificando neste período de quarentena. Onde estamos reflexionando sobre

assuntos que antes não tinha espaço e/ou eram ignorados devido ao nosso

corriqueiro cotidiano, onde estamos nos conectando e nos preocupando mais uns

com os outros. A quarentena está pouco a pouco abrindo os nossos olhos e

dando um basta na segmentação, nos padrões e nas tradições, está nos

fazendo examinar o que já devia ter mudado faz tempo. Já é tarde, mas é o

momento de ponderarmos todos os públicos que de alguma forma são excluídos

da sociedade pelas diferenças sejam físicas, intelectuais ou financeiras.


Esperamos que este surto de inclusão se torne cada vez mais presente e popular

entre nós, em todas as áreas, porque o ato de incluir oferece oportunidades iguais

de acesso a bens e serviços a todos. E ficamos felizes que a inclusão, mesmo que

tardia e emergida de uma fase tão ruim em que estamos vivendo, vem dia após dia

sendo apurada na moda, que não é só um look bonito, mas é o espelho do povo.


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