Como o corona vírus afeta todo o sistema de moda

(Matéria)

O cenário? Alarmante. A preocupação? Mundial. Não tem como negarmos, o corona vírus de fato virou modismo social. Ou pelo menos, dá pra falar, que tá na moda (de alguma forma ou de outra). E falando de moda, ou neste caso do sistema da moda, fica ai o questionamento: quais os efeitos colaterais do corona nesses sistema? E afinal, uma coisa tem a ver com a outra?

É, tem! E assim como todo esse cenário apocalíptico que nos faz parecer personagens de algum filme do Michael Anderson, tem afetado profundamente a economia global (economia esta que segundo a OCDE tem uma previsão de crescimento de apenas 1,5%, para esse ano), esse sistema todo que nos veste, também está em maus lençóis.


Segundo Manu Beger, especialista no mercado de luxo "após um final de ano bastante positivo para os principais grupos de luxo, com máximas históricas registradas nas bolsas, LVMH, Kering, Richemont e Hermès zeraram ganhos após o pânico causado pelo avanço da doença, e a queda nas vendas no mercado de luxo já ronda a casa dos 5%, podendo chegar a 7% neste ano".

Frente ao pânico global e um cenário nada positivo, vemos ainda reações em cadeia igualmente preocupantes. Versace adiou o desfile nos Estados Unidos. A Armani remarcou o desfile da marca em Dubai de abril para novembro. As semanas de moda de Tóquio e Seoul? Canceladas. E diante dessa onda de cancelamentos alarmantes no que podemos chamar de topo da pirâmide da moda, fica o questionamento: e as fábricas na China?

O que temos certeza? Ainda não operam com capacidade total. E apesar de começarem (aos poucos) a apresentarem sinais de uma volta da regularidade, vale aqui salientar a defasagem mundial que vamos ter por terem ficado por tantos dias silenciosas.

Explicando de maneira mais detalhada, todo esse cenário de incertezas que estamos (e vamos) enfrentar pelos próximos meses, mesmo que a doença regrida, acontece pelo simples fato de termos um sistema industrial fundamentado na velocidade e na rápida difusão global. Quando este é posto (pela primeira vez eu diria, desde a revolução têxtil, ramo em que foi dada os primórdios da revolução industrial), a acumulação de capital e recriação de formas “pretéritas” de exploração (apontadas como Marx e Engels como intrinsecamente presentes em modelos capitalistas), sofre um abalo de forma diretamente proporcional.

Por isso, com um plano de fundo para lá de apocalíptico, cabe aos gigantões da moda, aos pequeninos, e no geral, a toda a cadeia produtiva global, repensar: o que vamos fazer agora?


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