Menos toque. Mais Clicks. Maior propósito

(Artigo)

Estamos experimentando uma era de menor contato físico, porém, temos visto uma escalada digital como nunca vista antes, ainda que, a pauta da digitalização dos negócios já

tem sido discutida a um bom tempo, mas, que agora ganha um novo fôlego. Os números do comércio eletrônico não nos deixa mentir de que a compreensão do digital para os negócios

veio para ficar de fato.


De acordo com o artigo da FOLHA, Pandemia força alteração no comércio online

brasileiro (abril 2020), o e-commerce teve um crescimento de 42% entre os meses de março e

abril de 2020 do que se comparado ao ano de 2019. Aqui compreende-se justamente o

momento do início da pandemia e o fechamento do comércio. Segundo informações do artigo

ainda houve um aumento de 31% de novos consumidores online, o que demonstra a incursão

digital dos primeiros e-consumers e m-consumers. Em outras palavras, os consumidores de

produtos online pela utilização de dispositivos como desktops e smartphones. Para se ter ideia

no Brasil uma loja virtual foi aberta por minuto e de acordo com o Estadão foram

aproximadamente 100 mil novos estabelecimentos online entre os meses de março a maio

pelo que foi apurado com a Abcomm (Associação Brasileira de Comércio eletrônico).

No início, o pavor e pânico do incerto provocou de forma generalizada um break no

consumo de bens de segunda necessidade. O segmento da moda, por exemplo, foi um dos

mais impactados devido a não necessidade da MODA pelo menos por ora saciar as vaidades.

Essa dinâmica deu espaço, portanto, ao conforto por peças mais minimalistas, atemporais,

mais fluidas, tons neutros e claro confortáveis. De acordo com matéria do estadão 2 , para a

consultora de tendências, Silvia Scigliano, a moda de agora e dos próximos anos será de menos

ostentação.

Por outro lado, a moda é um dos setores mais impactados pela pandemia, mas, foi

perceptível um crescimento no consumo de forma eletrônica por artigos de moda. Segundo

pesquisa realizada pela Conversion (plataforma de Cloud Commerce) o e-commerce de moda

teve um aumento desde o início da pandemia de 95%, grande parte impulsionada pela data

sazonal do Dia das mães.

Aqui é interessante questionar o momento atual diante ao que realmente precisamos

versus a enormidade de itens ofertados, ou seja, faz sentido manter um guarda-roupas

amontado de peças pelas quais não uso?. Independentemente do tamanho, todas as marcas

de moda foram impactadas por uma pandemia sem precedentes expondo as feridas de um

sistema esquizofrênico do que entendemos por moda. A título de exemplos, podermos citar o

case da ineficácia de gestão e falta de inclusividade da Victoria Secret´s a fez cancelar o seu

famoso fashion show após uma série de polêmicas e denúncias. Se já não bastasse até mesmo

a negociação de sua venda nesse 2020 não deu certo por conta da pandemia.

Antes mesmo da pandemia, a Forever 21 no final do ano passado foi outra que

declarou concordata e levou o fechamento de diversas lojas. Outra marca que teve sua

negociação congelada por conta da pandemia foi a do grupo Tifanny Co.. No fast fashion foi

noticiado que a Zara já fechou cerca de 1.200 lojas. No mercado americano também vimos a

pandemia impactar diretamente os negócios da J. Crew, Neiman Marcus, Macy´s e outras. O

que nos leva a pensar: qual o real impacto que uma pandemia pode ocasionar no sistema

econômico?

Em contraposição a essa avalanche de fechamentos também se percebe que os novos

negócios devem ter como orientação em sua criação a cultura da velocidade, resposta,

flexibilidade e de uma mentalidade digital cada vez mais presente em levar soluções práticas e

convenientes aos clientes. Marcas não são apenas produtos. São reflexos de propósitos. E

propósitos criam identidade de marca que consequentemente cria laços. Em outras palavras,

marca é uma plataforma de mídia. A percepção de futuro no momento pelo qual passamos

vem do olhar do presente e que mudanças posso fazer agora. Os especialistas defendem esse

pensamento por cultura de start up e as marcas funcionarem como laboratórios e espaços

para a tentativa, erro e correção de rotas.

A pandemia nos obrigou a uma inversão da percepção do contato humano. Com isso

vemos cada vez a alteração das relações humanas e claro comerciais migrar do presencial para

o digital. As relações de consumo do cliente com as marcas também se alteraram e será cada

vez mais flexível. Ou seja, marcas engessadas e sustentadas por tradicionalismos não terão vez

nessa reconfiguração em reordenar e ressignificar o consumo.

Ainda sobre o isolamento e toda a problemática da pandemia temos agora como

assunto da vez a retomada gradual do comércio no mundo. Vale lembrar também as cenas de

filas gigantes ao redor do mundo nas calçadas em frente às marcas de luxo e fast fashion. Essa

dicotomia na percepção de consumo deve ser compreendida de individuo para indivíduo. Pois

é uma variável significativa do que ser humano compreende como necessidade.

Sim a abertura do comércio é uma realidade e as pessoas estão voltando aos

comércios. Na observação do varejo pelo que se vê é que essa retomada ainda é tímida.

Muitos protocolos foram criados com o intuito de preservar os consumidores e equipes de

trabalho. Esse afrouxamento e essa percepção de “cura” reascende as discussões sobre o

timing certo dessa retomada acontecer. De sinalização a aferição de temperatura cada

estabelecimento tem tentado preservar a segurança dos espaços e consequentemente a

manutenção econômica. Sim, as pessoas precisam dos empregos e a economia precisa rodar.

Porém, é o momento ideal?

Compreender os movimentos de consumo é uma oportunidade genuína de praticar a

empatia e oferecer experiências positivas não só no contexto físico quanto digital. É preciso

que as marcas enxerguem que a base de sua construção é feita por propósitos. A recém-

lançada marca VI.RUS2020 logo que nasceu já foi rebatizada por @amar.ca2020 e demonstra

essa falta de empatia. A marca é de Thaila Ayla, atriz e influencer. A “postura” de Thaila assim

como de outros influencers nesses tempos passaram a ter uma vigília cada vez mais ativa dos

seguidores. Mas, por que não entendem de fato o que significa ser um influencer?

Os influencers devem compreender que são tidos como modelos, exemplos e

referências para quem os segue. Além disso, deveriam ter uma postura de educadores no

sentido de gerar conteúdo de relevância em vez apenas de publi posts. Que diga Gabriella

Pugliegsi ao divulgar em suas redes vídeos/fotos em plena época de quarentena promovendo

uma festinha particular indo contra a onda do isolamento. Duramente criticada teve contratos

cancelados e seu perfil de uma hora para a outra desativado.

Em momentos pelos quais estamos vivendo todo cuidado é pouco. A pandemia

demonstra e reforça que sairão na frente e serão lembradas marcas e pessoas que entregam

benefícios para os consumidores. É preciso que marcas surjam sob o pilar da empatia e de uma

postura ativa sobre o que a cerca, vide a repercussão do movimento Black Lives Matter (vidas

negras importam), como resposta ao assassinato do afro-americano George Floyd.

Na moda vimos nos últimos tempos a bandeira do racismo ser levantada

recentemente com o perfil no Instagram @modaracista que escancarou esse modelo

instaurado nas veias da moda, porém, o perfil foi desativado por não estar de acordo com as

políticas e regras da plataforma.


Podemos estar vivendo em low touch, mas, estamos online

24h e a geração de informação e desinformação é de uma velocidade absurda.

Marcas devem funcionar como plataformas de experiências, conteúdos, cooperação e

influência e a lição disso tudo é na dúvida se cercar de informação, planejar e se for preciso

recalcular suas ações antes de apertar PUBLICAR e/ou COMPRAR.


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