Moda: Além da indústria da vaidade e do ego

(Ensaio)


Por que a Industria da Moda é vista como a da vaidade e do ego?

Quando falamos de moda e comportamento, não podemos deixar de falar de nós, humanos. A moda é um reflexo da sociedade, as roupas que estão na vitrine, só estão lá porque alguém vai comprar, os designers pensaram, fizeram a pesquisa deles. Não é à toa que se faz e produz moda. É uma indústria que faz parte de nós, do que nós somos, nossa identidade, é automática e leva tanto preconceito. É criticada como a indústria da vaidade e do ego, fútil, é associada a pessoas vazias, não as inteligentes, “eu sou muito bom para fazer parte da moda” é um dos pensamentos. E por que ela é vista assim?


É verdade que algumas pessoas consomem moda para mostrar o poder aquisitivo que elas têm, o status, algumas consomem para satisfazer uma vulnerabilidade ou até mesmo por doenças relacionadas por consumo. Mas o que a grande maioria faz é consumir moda para estar na moda. Pode estar aí o grande problema da “Industria do Ego”. Não é o problema na indústria em si, mas no que nos faz possui-la.

Por que queremos estar na moda? Para satisfazer o ego?

Segundo Freud, o ego “é a personalidade que, no âmbito psíquico, influencia o comportamento de alguém, partindo de suas próprias experiências e controlando suas vontades e impulsos".

Com essa citação podemos então notar que o que a indústria da moda faz é ser o nosso ego, ela controla e nos influencia a comprar mais e mais. A colocar peças de desejo na nossa frente que nem nós sabíamos que precisávamos. Então é certo sim dizer que a moda é a “Indústria do Ego”, mas não no lado pejorativo, no sentido real de sua definição.

O filme “o Diabo veste Prada” demonstra muito bem o porquê desta visão, na cena onde Andrea diz que as cores dos cintos são “só azul” e Miranda faz um belo discurso sobre como a Industria da Moda funciona. Mas o mais fascinante é notar como a indústria nos influencia sem nem mesmo notarmos, a Andrea poderia ter escolhido qualquer outra cor de suéter, mas ela escolheu o suéter azul da cor do Oscar de La Renta e do Yves Saint Laurent.

É quase como se a própria moda, no seu extremo mais alto, pudesse prever o que as pessoas usariam eventualmente no seu extremo mais baixo, e isso, de certa forma, tem tanto a ver com predestinação quanto com predição de modo que não é preciso ver desfiles para escolher um suéter, e ela escolheu justo o suéter azul.

Além do seu valor vital, se queremos uma mudança, podemos começar mudando nossas roupas para declarar uma ideia ou pensamento. Pegamos as cores que certa crença e colocamos nas roupas para dizermos “ei, eu acredito nisso” sem precisarmos falar nada. E aí que entra nosso subconsciente, a tal força que nos leva a comprar algo ou não, está em nossas memórias, no nosso passado, no que vimos uma vez na rua e nem nos lembramos mais. A moda tem esse poder de pegar referências que nem sabíamos que tínhamos e colocar nas peças de roupa. É o tal zeitgeist, ou uma vontade espiritual, ou uma força interior ou até mesmo uma pesquisa de campo que levou o Oscar de La Renta e o Yves Saint Laurent escolherem “O” azul.

A indústria que temos hoje é uma consequência do modo que vivemos e da junção todas as coisas que nos representam. É a indústria do Ego, mas do ego que te leva para a mudança, de extremo poder social, político e econômico. Uma indústria que tem muitos erros mas tem um poder lindo de nos complementar e estender a nossa essência á âmbitos tão grandes que movem gerações, criam culturas e formam comunidades.


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