MODA: FENÔMENO SOCIAL E CULTURAL

Começo essa jornada parafraseando Coco Chanel, a moda não existe apenas nos

vestidos: está no ar, no céu, no vento, na literatura, nos acontecimentos do nosso dia

a dia, nas nossas ideias e no nosso comportamento. O nosso visual transmite

características de personalidade e sociabilidade, a moda influência como somos vistos

e tratados. Existem inúmeras questões associadas à moda que mexem com o nosso

cotidiano como indivíduos e como sociedade; moda importa além do que as roupas

dizem sobre nós.


Trazendo conceitos, significados e a origem do vocábulo, a palavra moda provém

do termo latino modus, através do francês mode, fazendo referência ‘ao modo’, ‘à

maneira’ designando assim as preferências, conjunto de opiniões, gostos, assim como

modos de agir, viver e sentir coletivos. Portanto, moda trata-se de uma expressão da

cultura da sociedade, ao se comprar um produto de moda, o indivíduo está se

identificando socialmente, e consequentemente se diferenciando dos outros. A moda

não é só um elemento de distinção dos indivíduos dentro da sociedade como no

passado, é algo ideológico que delimita o tempo e o lugar, transmitindo significados e

valores culturais, é um instrumento subjetivo e é considerada uma prática da

coletividade desde o seu surgimento, pois sempre ocupou um espaço significativo na

cultura.


A moda propriamente dita, como conhecemos hoje, surge no século XIX. Porém

dados históricos comprovam a existência de agulhas que possivelmente teriam sido

utilizadas para costurar pedaços de couro a cerca de 40.000 a.C. Segundo

antropólogos, peles de animais e folhas foram os primeiros materiais utilizados para

proteger o corpo do frio quando a migração humana começou. As mulheres eram

responsáveis por limpar e tratar a pele para deixá-la macia. Estima-se, no entanto, que

o primeiro tecido seja ainda mais antigo e que tenha sido usado pela primeira vez há

mais de 650 mil anos. Com o surgimento da tecelagem e o descobrimento de outros

materiais para a confecção de roupas, as peles dos animais foram substituídas como

matéria prima.


O século XIV também reúne dados importantes na história da moda. Com o fim da

Idade Média e o início da Idade Moderna, a divisão rígida da sociedade entre clero,

nobres e plebeus começou a diluir, o comércio se desenvolveu e a busrguesia e o

individualismo ascenderam. Sim individualismo. Sem ele, a Idade Moderna não seria a

mesma, e a moda também não, pois a noção de liberdade foi essencial para o

desenvolvimento dessa sociedade e, com ela, a confiança no seu próprio poder de

decisão. E é nesse contexto que a moda floresce, onde as escolhas estéticas

passaram a retratar a vida, refletindo e influenciando comportamentos e a maneira de

lidar com o novo modo de ser e de pensar, se sustentando como um fenômeno que

estrutura a vida social de maneira indissociável dos processos comunicacionais.


Geertz (1989) em A interpretação das culturas, defende a ideia de cultura como

conjunto de mecanismos simbólicos que auxiliam na ordenação do comportamento

humano a cultura, então, dita a moda, as peculiaridades de cada país, suas

vestimentas, religião, comidas, músicas e costumes, apresentando assim uma relação

particular com a sociedade, possuindo um código próprio, representando uma

linguagem cultural. As roupas, em seu papel de comunicação simbólica, tiveram

fundamental importância na história da sociedade, como meio de transmitir

informações tanto sobre o papel e a posição social daqueles que vestiam quanto sobre

sua natureza pessoal. A moda está relacionada a esse conjunto de fatores, a um

sistema de funcionamento social, a cultura assim como a moda não é inerte e está em

constante movimento, o caráter transitório da moda dita um conjunto de ideias,

comportamento e práticas sociais, aprendidos de geração em geração através da vida

em sociedade.



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