O Impacto dos movimentos Contraculturais na Moda.


A moda deve ser interpretada por seus significados e pelas funções sociais que serve, de um modo geral, grandes mudanças nos estilos de vestir de uma sociedade, os quais, são indicadores de amplas e extensas alterações nas relações sociais. Através da moda é possível compreender muitos aspectos de um corpo social, porém nem sempre funcionou como no momento presente. Antes da década de 60 a produção de tendências de moda era monopolizada e direcionada a elite, mudanças significativas só começaram a surgir a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, com o ápice dos anos 60, combinados com os avanços tecnológicos e industriais da época que geraram grandes mudanças no sistema de funcionamento da moda.


O surgimento da Contracultura foi um dos fatores que mais afetaram o mundo da moda, fenômeno esse, que tinha um caráter opositor, libertário, que surge para questionar as normas hegemônicas, sua essência encontra-se na contrariedade de normas e padrões estabelecido socialmente , seus adeptos expressavam isso por meio de sua forma de vestir e se adornar, se opondo ao que estava em vigor, o que estava na moda, o que pode ser chamado de antimoda, que não surge especificamente nesse contexto histórico, já que outras manifestações associadas a esse fenômeno aconteceram anteriormente. A abordagem do tema contracultura e os estilos antimoda são relevantes não apenas por sua utilização e influência estética, mas também pelas importantes mudanças provocadas em seu sistema, já que o conjunto de movimentos contra culturais se opunham aos valores estabelecidos pela sociedade capitalista, movimentos que se referiam a contestação, sentimento esse que ganha força diante da nova realidade da sociedade pós guerra, a nova massa jovem trazia consigo inúmeros questionamentos sobre a sociedade, insatisfações que não se limitavam apenas a questões políticas e sim a toda uma estrutura pré estabelecida como instituições familiares, religião, arte, música, comportamento e claro, a forma de se vestir, surgiu assim uma cultura jovem global que defendiam a individualidade acima da massificação, o empirismo acima do racionalismo, que diferia e descordava dos não-jovens.


Dessa forma, torna-se nítido que um conflito social se instaura e esse seria o ponto chave para a formação dos movimentos contra culturais, como os movimentos negros como: Black Power e os Panteras Negras e a Soul Music. Porém, um dos mais importantes ou um dos mais popularizados seria o movimento Hippie composto por jovens brancos, que repudiavam a sociedade capitalista, com características extremamente pacifista pregando a ‘’Paz e o Amor’’, ‘’Faça amor, não faça Guerra’. E foi com a chegada dos Hippies e de como eles se adornavam, peças coloridas com grande influência do misticismo, da psicodelia que o unissex ganha uma maior espaço nesse movimento, ressuscitando a ideia que moda sem gênero que já havia sido notada no mundo nobre do rock, tendo em vista os quimonos de lantejoulas usados por Jimi Hendrix e David Bowie, a moda hippie passa a ter um alto potencial comunicativo, as roupas carregam uma mensagem, sua cor, tecido, modelagem e adereços, tinham o papel de comunicadoras das distinções sociais da época, usar jeans e peças coloridas estampadas exprimia seus ideais, ‘’a roupa se tornou um meio de rejeitar os valores da classe média em favor de valores e identidades sociais que anteriormente não haviam se expressado no vestuário das classes média e alta’’. Crane (2008, p.165). Com os jovens usando as roupas para expressar sua individualidade e sua identidade que a rua passou a ser considerada um centro autônomo de moda, inaugurava-se assim, um novo sistema, onde as ditas tendências passam a surgir dos grupos de base da pirâmide social, como a inserção do jeans em 1966 por Yves Saint Laurent em suas coleções, peça que já era massivamente consumida pelo público jovem.


Mesmo com o enfraquecimento histórico da contracultura, o impacto na sociedade causado pelo mesmo não foi momentâneo, na moda também não, as estéticas desse movimento foram muitas vezes revisitadas pela moda, como as tendências Hippie Chic, Boho Chic que ‘’surgem’’ no verão 2011 rebatizadas, porém muitas críticas são atribuídas a esse fenômeno de ‘fashionalização’ dos estilos antimoda, trazendo a análise de que transformar a antimoda em uma tendência não seria deturpar o seu significado?! Hoje o que tem visto é um uso banal de referências dos movimentos da contracultura, sem dar a devida importância a sua origem, significado e história, as conhecidas fashion victms, na tradução direta, vítima da moda, referindo-se as pessoas que seguem todas as tendências, sem ter um próprio estilo, nem gosto próprio, ou seja consomem tendências sem compreensão de que aquilo significa, ou já significou para alguém ou grupo social e ou cultural. A contracultura defendia a liberdade, incluindo a forma de se vestir, por isso fazia o uso de peças de outras culturas e grupos sociais, porém esse uso tinha o objetivo e trazer os significados e transmitir seus valores sociais associados as indumentárias diferindo de um aspecto exclusivamente mercadológico.




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