​O INÍCIO DO FIMDO FAST FASHION

(Matéria)



Fast Fashion: nome usado para caracterizar o sistema de moda que visa a exploração ambiental e humana, tanto física, quanto mental. Ela consiste de uma moda rápida e barata, onde marcas analisam o que está sendo consumido das passarelas e rapidamente copiam e reproduzem peças similares, sem qualidade, em grande escala.

Um ciclo diário e tão veloz que toda semana muda as vitrines de suas lojas. Um sistema satisfatório para aqueles que sempre buscam uma novidade “que está na moda” por um preço acessível. Nascida a partir de uma estratégia, após a crise do petróleo em 1970, o mercado aberto sem fiscalizações a ajudou a ser uma das indústrias que mais fatura no mundo. Recebeu seu nome apenas em 1990 quando o The New York Times foi descrever a incrível nova produção da loja Zara.


Mas como todo império um dia chega ao fim, esse não é diferente. Baseado no consumo desenfreado, produto de um sistema capitalista egocêntrico visando o lucro, o fast fashion junto com o marketing desbravou o mundo e o adoeceu.

Segundo O Banco Mundial, a indústria da moda usa 93 bilhões de metros cúbicos de água por ano, sendo 20% total da poluição da água mundial, responsável pela emissão de 10% de todo carbono global. Todo ano, meio milhão de toneladas de microfibras plásticas são despejadas no oceano, o equivalente a 50 bilhões de garrafas plásticas. Em 2018, dos 100 bilhões de peças fabricados, 20% acabaram em lixos e aterros. Estamos consumindo 5 vezes mais do que 1980 e menos de 1 por cento é reciclado. Um sistema benéfico da exploração, do trabalho escravo e infantil. Uma indústria de 2.4 trilhões de dólares.

Sim, é tão ruim assim. E por que deu tão certo? Por causa de nossa cultura baseada na oferta e sedução, de relações públicas e da criação de novas necessidades, sociedade de consumidores onde os produtos à venda fazem jus a todas essas exigências. O urgente, instantâneo e imediato, você compra o produto porque sabe que quando voltar lá, daqui uma semana, não vai mais ter a peça desejada.

E por que está desmoronando? Para o fast fashion sobreviver ele precisa de uma sociedade que vive da aparência, onde você não pode usar o mesmo vestido mais de três vezes porque as pessoas vão achar que você só tem uma peça de roupa. Ele precisa do marketing te mostrando que você só vai ficar bonita se usar essa peça nova. Ele precisa dos preços baixos para você sempre estar voltando e comprando mais, e por fim, ele precisa da maior quantidade de produtos disponíveis com diversos estilos para atingir o maior público possível. Com a urgência do novo, é um sistema baseado no consumo por impulso, que não olha para o indivíduo e nem para o meio ambiente. Ele busca o efêmero e o líquido dentro de nós, e extrai tudo que é possível.

E é aí que tudo muda, com uma nova cultura e novos modelos de vida. As gerações vão mudando e as suas necessidades também. Estamos cada vez mais nos sentindo atomizados, vidrados em uma tela, sem nos identificar com os outros e com nós mesmos. Enquanto algoritmos fazem as escolhas por nós, queremos nossa individualidade de volta. Estamos a deriva em um mar de informação e nele estão todos nossos detritos de poliéster também.

Com sorte, as novas gerações estão questionando os verdadeiros benefícios desta indústria. Os Millennials e a Geração Z, se preocupam mais com a experiência deles do que com o produto em si. Estão crescendo espertos demais para um consumo irracional, exigindo mais ética, inclusão e liberdade.

E o que podemos fazer? Não focar no novo, mas sim no que podemos fazer a partir do que já temos ou criar novas fibras ecológicas, um modelo de produção circular, temos que voltar ao tempo onde as pessoas estavam criando novas tendências e se transformaram em ícones em expressão pessoal, a moda deve ser sobre valores, diversão e expressão, evoluir com o seu tempo e contar a sua história, não sobre destruição.


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