O que será do consumo de moda pós-pandemia do COVID-19?

(Matéria)

Durante esse isolamento social em meio à pandemia, tenho visto cada vez mais debates interessantíssimos sobre a indústria da moda. Reflexões acerca de uma indústria que já passou

da hora de repensar seu impacto, questionamentos sobre demandas mais conscientes de consumo e isso tudo, aquece o coração de quem assim como eu, acredita numa moda futura

mais consciente, empática e limpa.


Mas, olhando para trás e fazendo um paralelo com as grandes guerras mundiais, a história nos

mostra que esse pé no freio não rolou. A sociedade passou por mudanças de paradigmas, de

estilo, mas o consumo não desacelerou, muito pelo contrário. Numa sociedade capitalista, pós

grandes crises, a via de regra é que o incentivo ao consumo aumente. Afinal, é ele quem faz a

roda do sistema girar. Será que dessa vez a sociedade pegará um caminho alternativo? Será

que de fato, o COVID-19 resultará num consumo mais slow? Será que os grandes players do

mercado traçarão rotas alternativas para uma indústria mais sustentável?

No primeiro dia de liberação do isolamento social na China, a loja da Hermès faturou um

equivalente a R$19 milhões na sua reabertura em Guangzhou. Recentemente, a França que

estava há quase dois meses em lockdown, começou a retomar gradualmente as atividades e

vimos notícias de filas enormes na frente das lojas da Zara. Será que em terras tupiniquins,

devido a grande disparidade de riquezas, o panorama será diferente?

Acho pouco provável. A fast fashion Riachuelo dobrou seu faturamento online durante o

isolamento, registrando um aumento de 124% nas vendas no período de 4 a 12 de abril, e

crescimento de 56% no tráfego do site. A marca de loungeweare HOPE, cresceu 400% por

centro, também durante o isolamento**(confirmando o crescente desejo do momento pelas

roupas que abraçam e pelo conforto). Esses dados nos mostram que é possível gerar desejo,

lucrar e fazer a roda girar no meio de uma pandemia.

A recessão econômica é inevitável, ainda mais no meio de uma crise de saúde pública em

escala mundial. Mesmo com algumas marcas colhendo frutos, a indústria têxtil e o varejo de

moda já estão sentindo os impactos da desaceleração forçada. Porém, isso será capaz de fazer

a indústria repensar seu modus operandi? Será que o mundo pós-pandemia, reformulará a

relação de consumo em níveis mais profundos? Não podemos traçar um caminho, só

suposições. Do lado de cá, acredito que só uma pequena parte recalculará a rota rumo a

praticas mais sustentáveis e que talvez, num futuro próximo, presenciaremos um comeback

dos anos loucos.


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