Pau Brasil: moda e exploração

(Matéria)

Você já deve ter ouvido falar que o nome do nosso país veio da árvore de mesmo nome, o Pau-brasil. Mas você sabia que essa árvore e a sua exploração está diretamente relacionada a moda?

Foi durante a idade média, com as cruzadas que levaram a Europa em contato com o Oriente Médio, que os europeus ficaram encantados com os tecidos e suas cores, além das especiarias, completamente diferentes de seu usual. Após a Idade Média, a sociedade europeia estava mais civilizada, eles tinham descoberto o luxo, com o veludo, a seda e ficaram vidrados especialmente com o carmesim. Eles queriam fazer igual, reproduzir essa cor, mas era muito caro, tinham que viajar até a Ilha de Sumatra para conseguir o pigmento. Foi então, que o vermelho começou a ser utilizado exclusivamente pela alta nobreza, por reis e bispos e foi considerada uma cor divina.


Foi assim, que a sociedade começou a perceber o que era status e influência e as vestimentas começaram a distinguir as classes sociais. Um sistema de moda começou.

Logo, com a descoberta do Brasil, os portugueses descobriram uma árvore que mudaria o destino da Illha de Vera Cruz e da Europa, como explica os pesquisadores Francismar Aguiar e Reinaldo Pinho, na “ocasião do descobrimento, chamou a atenção dos navegantes portugueses uma árvore de cujo lenho era preparada uma tinta de cor vermelha empregada no tingimento de penas. “Ibirapitanga” era o nome usado pelos nativos, que significa, em tupi, madeira vermelha. Este corante de imediato passou a ser utilizado pelos europeus, em substituição a um outro similar produzido com o “sappan” para tingir tecidos. ”

Quando os portugueses chegaram aqui, em 1500, logo identificaram que a árvore poderia suprir a demanda por esse corante na Europa, além da propriedade de tingimento, a madeira também proporcionava confecção de instrumentos musicais, móveis e outros utensílios domésticos, resultando na exploração desenfreada da matéria-prima logo nos anos iniciais da colonização.

A exploração dos índios foi o fator que fez, até o fim do séc. XVI, o Brasil perder mais de 2 milhões de árvores, 50 árvores todos os dias, e como vocês podem observar, não sobrou quase nada até hoje. Os índios ganhavam machados para derrubar mais rápido as árvores, assim que derrubavam mais, ganhavam mais machados para derrubar mais árvores. O pau-brasil foi embora e ficaram os índios com os seus machados de ferro.

Além da quase extinção total da árvore, o fator que fez parar a sua exploração, foi a anilina, pigmento orgânico que ocorre no alcatrão mineral.

Hoje em dia, o pau-brasil é utilizado na moda por marcas que buscam tingimentos sustentáveis, como a designer brasileira Flavia Aranha, “o que era resíduo em uma fábrica artesanal, virou matéria-prima para nossos vermelhos da coleção ” que busca uma moda mais cíclica e natural.

“Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português.”

- Oswaldo de Andrade


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