SEXISMO, OPRESSÃO E POSICIONAMENTO POLÍTICO

(Matéria)

Sexismo: substantivo masculino. Atitude de discriminação fundamentada no sexo. Não sei dizer se o termo (ou pelo menos discussões do gênero) estão na moda, mas que está no feed do Instagram de todo mundo, isso tá. O posicionamento da triz Mariana Ximenes na capa –e no escopo- da última edição da revista Harper’s Bazaar juntamente com a marca Hering, deu o que falar quanto a abolição do termo “tomara que caia”, este por ser um termo definitivamente sexista e machista, e está causando um reboliço e tanto nas mídias sociais que difundem o que atualmente entendemos como informação de moda. Além de claro, levantarem a bandeira para repensarmos questões como: sexualismo, opressão e posicionamento político (aqui, pelo viés da moda).


Segundo Rita Coelho, gerente de marketing da Hering “durante 2020, traremos discussões em torno do universo feminino. Nos movimentaremos no sentido de ampliar os debates nesta temática e a atual campanha é apenas a primeira de outras ativações a serem realizadas pela Hering nos próximos meses, todas dentro do conceito ‘Liberdade é básico’, reforçando os valores democráticos da marca”. Vermos marcas como a Hering repensando termos como “tomara-que-caia" abre espaço para indagarmos de maneira similar modismos falados como “baby-doll” e “boyfriend”. Seriam eles igualmente machistas e sexistas? Fica aí o questionamento.

Mas é válido dizer que em meio a inúmeras pautas como essa que vem surgindo em pleno mês da mulher, posicionamentos feministas e de sororidade , além de questões ligadas diretamente a igualdade de gênero, tem ganhado fôlego. Um exemplo muito claro disso foram as manifestações ocorridas em pleno dia 8 de março (escolha de dia nada aleatório) em toda a América Latina, onde centenas e milhares de musas foram as ruas e protestaram contra o feminicídio e lutaram por seus direitos.

A voz dessas mulheres apenas salienta o que já dizia Simone De Beauvoir: Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Tarefa essa de difícil posicionamento em uma sociedade extremamente dividida. A construção social da mulher (seja ela por meio da roupa, ou não), sempre ocorreu de maneira a ser não apenas coisificada, mas hipersexualizada quanto ao corpo feminino (hipersexualização essa fruto do neoliberalismo). E falando-se de liberalismo e de sermos mulheres livres (ou não), ainda me questiono se realmente possuímos o poder indubitável da escolha e a liberdade de vestir o que nossa alma grita. Segundo a filósofa Ana de Miguel “a liberdade de escolha é usada como exploração. Seu corpo é seu melhor recurso”. Recurso esse ainda visto como objeto de uma sociedade construída sobre bases epistemológicas extremamente machistas, e onde o vestir-se, por vezes fica sucumbido aos ao medo que temos. Por isso: somos ou não somos realmente livres?

Ainda falando do segmento moda, o sexismo e a desigualdade de gênero aparecem de forma gritante em todo o mercado. Segundo a pesquisa “The Glass Runway” realizada pelo Conselho de Designers da América (CFDA) apenas 41% das grandes marcas são comandadas por mulheres. E dá pra piorar? Sim, dá!

De acordo com uma análise feita pelo The Business of Fashion (BOF) as incoerências só aumentam, e não é só nas cadeiras da chefia, viu? Pesquisando os e-commerces de marcas como Saint Laurent, Valentino, Gucci, Balmain e Dolce & Gabanna o BOF constatou que nós mulheres somos muitas vezes cobradas em até U$1.000 a mais por peças femininas similares, quando não idênticas as masculinas. O mínimo? Revoltante, eu diria.

Não dá para saber quando essa triste e infeliz realidade vai mudar. Mas o que podemos (e devemos fazer) é não nos calarmos. Afinal ser mulher é uma dádiva, e não uma submissão.


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